25.11.07

Peter Pan

“À noite, depois que as crianças pegam no sono, as boas mães costumam entrar na cabeça dos filhos e organizá-las para a manhã seguinte, recolocando nos devidos lugares as muitas coisas que ficaram esparramadas durante o dia. (...) De manhã, quando você acorda, as travessuras e as maldades que levou para cama estão bem dobradas no fundo da sua cabeça, enquanto no alto, exposto com todo o capricho, estão seus pensamentos mais bonitos, prontos para serem usados.”

Alguém saberia responder rápido a que livro pertence esse trecho? É, ao famoso Peter Pan e Wendy, de J.M. Barrie. Que costuma ser lembrado pelas inúmeras adaptações, que –lógico – deixam muito a desejar.

Contada e recontada cada vez mais livremente, a história do livro é muito rica! Ao longo das duzentas e cinqüenta e algumas páginas da tradução da Companhia das Letrinhas, é possível encontrar montes de trechos curiosos como o que destaquei acima, os quais desvendam incríveis segredos sobre o mundo misterioso dos adultos... =0
Peter Pan não é um menino que não quer crescer, e sim que não soube crescer. Ele simplesmente se esqueceu disso – sorte a dele! Todos os personagens do romance são densos e cada passagem guarda uma lição sobre a infância e a vida.

E o narrador é deliciosamente próximo de nós! Conta a história, explica, aqui e ali, uma idéia ou um pensamento e leva os leitores à maravilhosa terra que fica “à segunda direita e sempre em frente até o dia amanhecer.”

Peter Pan foi para mim, que conhecia apenas as adaptações mais bobas, uma descoberta super gostosa. Sublinhei trechinhos e trechões livro afora, idéias inteligentes que quero saber onde encontrar quando precisar. E volta e meia preciso delas.

Embora conhecida como uma história infantil, Peter Pan dirige-se principalmente aos adultos. Aos que nunca cresceram e com carinho especial aos que esqueceram de parar pelo caminho. =)

4.12.06

O Velho e o Mar



"Tudo o que nele existia era velho, com exceção dos olhos, que eram da cor do mar, alegres e indomáveis".


Este é Santiago, o velho pescador de Hemingway, que um dia, para provar que ainda era capaz de prover seu próprio sustento, sai para aquela que seria a maior pesca de sua vida.

Sozinho em alto mar, Santiago reflete sobre sua vida, falando alto consigo mesmo. Quando parece que não terá sucesso, o maior peixe que já vira até então fisga a isca. Fisga, mas não é vencido...

E daí pra frente, são dias e dias em alto mar, entre vida e morte, passando fome, sede (muita) e todo o tipo de desafios.

E o que pretendia ser uma caça ao peixe acaba se transformando na busca e encontro da identidade do velho. Uma reconquista de si, após a descoberta de sua própria força, sabedoria, coragem e persistência.

Nobel da Literatura, "O Velho e o Mar" reflete a história de vida de todo homem (ou o q deveria ser), mesmo aqueles que nunca saíram para pescar em alto mar. Ou que nunca perceberam que a vida se assemelha fortemente às águas, ora estranhamente calmas, ora intensamente bravias. E para vencê-las, é necessário reflexão, ousadia e principalmente entender-se capaz da vitória, apesar dos obstáculos.

E disso, o velho Santiago entendia.

14.10.06

Charlie Brown

Vc tem muito o que aprender, Charlie Brown!

Pq quadrinhos tbm é literatura! :)

E eu adoro!

O autor das tirinhas do Charlie Brown, Charles Schulz ñ precisa da minha apresentação, é verdade. Mas já q tomei uma tirinha dele emprestada, nada mais justo que colocá-lo aqui no cantinho.

Nesse livrinho estão reunidas cerca de 240 tirinhas leves, engraçadas e sensíveis, todas sobre o cotidiano escolar, exatamente como nos convém. Simplesmente divertidíssimo!

Maravilhoso para nos distrair inteligentemente nesse já estressante pré-final de ano


Aproveitem:

1.2.06

Ex-Libris


Na capa, a autora anuncia a que veio: uma declaração de amor aos livros.

Seria o bastante para resumir os motivos pelos quais gostei tanto dos contos de Ex-Libris. A autora, Anne Fadiman apresenta 18 contos tirados de sua própria experiência amorosa com os livros, desde a infância, passando pelo casamento –claro, com um escritor- e o nascimento dos filhos, entremeando-as com idéias e memórias de grandes escritores.

Imperdível aquele em que narra sua experiência com dedicatórias, e o gosto com que presenteia os amigos com livros. No conto “Prosa de segunda Mão”, ela descreve a felicidade que sentiu ao receber de seu marido um presente surpresa em seu aniversário: a visita a um sebo ermo, do qual saiu carregada com nada menos que oito quilos e meio de livros! ^^

Além disso, Fadiman fala um pouco sobre os escritores que povoam suas estantes: Dickens, J.D.Salinger, Geoge Orwell, Tolstoi..
Aqui e ali sublinhei passagens que tornaram o livro de Anne Fadiman meu tbm. Uma delas: “Da mesma forma como existe mais de uma maneira de se amar uma pessoa, há mais de uma também de se amar um livro.” E esta, de um crítico inglês, transcrita por ela: “Livros são comida(...). Nós os comemos por amor ou necessidade, como aos outros alimentos, mas na maioria das vezes por amor.” E não é?!

Detalhe: a escritora faz aniversário no mesmo dia que eu! Hehehe

Um livro sobre livros, bibliotecas, páginas, escritos, canetas, estantes, vida... Imperdível!

5.10.05

As Crônicas de Nárnia


As Crônicas de Nárnia, escritas por C.S.Lewis entre 1949 e 1956 narram as histórias de Nárnia, uma terra onde animais falantes, faunos, unicórnios, centauros, gigantes e todo o tipo de seres encantados vivem em harmonia, desde sua interessante criação.

O primeiro livro parece uma introdução às aventuras todas, e apenas no segundo é que tudo começa a acontecer mais intensamente. Nárnia é uma terra criada por Aslam, um Leão falante, forte, digno e poderoso como um deus. Aliás, a terra por ele criada passa pelas mesmas etapas e por uma história bem semelhante à criação do mundo narrada na Bíblia. Também durante os outros livros, percebemos a relação entre as Crônicas e a Bíblia, e penso que Nárnia se assemelha à Terra Prometida! As batalhas travadas no reino de Nárnia podem nos remeter às batalhas pelas quais passamos durante a vida...


As aventuras de Pedro, Edmundo, Suzana e Lúcia, crianças inglesas quase tão comuns qto qualquer outra, são contadas por um narrador que parece estar sempre bem próximo de nós, sentado em uma poltrona ao lado da lareira, rodeado por ouvintes atentos. Ele possui uma forma carinhosa e toda pessoal de contar histórias, e tal é seu entusiasmo q chegamos a acreditar ter ele mesmo vivido anos e anos em Nárnia. E pq não?!

Vejo a cena: primeiro crianças sentadas à volta dele, depois os adolescentes vão chegando meio sem jeito e se encostando aqui e ali, até q o adultos se aproximam, impressionados com o desenrolar da história, acomodando-se onde e como podem. Todos permanecem silenciosos e atentos. Ansiosos pelo fim, tristes pela iminente despedida... É bem assim q vejo as Crônicas. Alguma coisa em Nárnia me lembra Winnetou (q já esteve aqui no Cantinho), talvez as descrições de combate, o planejamento de estratégias ou a amizade entre personagens tão diferentes entre si... Ou aquele gostinho de história boa, mesmo!

À princípio, algum desavisado pode pensar q "não passa" de literatura infantil, sem lembrar q a melhor literatura é aquela q não se dirige à A ou B, mas pode ser aproveitada por todos. É exatamente isso q acontece nesta série.

Fica aqui o meu convite: não deixem de conhecer Nárnia, onde era sempre inverno, mas o Natal nunca chegava. Até que chegou... Lembre-se apenas de não fechar a porta, qualquer pessoa sensata sabe que é uma grande tolice fechar-se dentro de um guarda-roupa.

Boa Leitura!

24.8.05

Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento


Não conheço toda a obra de Marina Colasanti, só sei que é bastante extensa e diversificada. Escreve crônicas, contos, romances, histórias infantis e acho q já vi poemas dela. Também é tradutora, e costuma ilustrar suas obras. (Quero ser igualzinha a ela qd crescer!) - uma autora que me impressiona, pela leveza e doçura com que fala do ser humano, de seus medos e sonhos e inquietações.

Como a própria autora diz, os contos reunidos em Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento são Contos de Fadas. O livro é formado por 13 histórias cujo imaginário mágico nos remete realmente, aos contos que ouvimos na infância: entre reis, princesas, cavalos alados, leões e unicórnios de sonho, reinos encantados e sereias, o leitor é conduzido suavemente à questões bastante atuais - uma vez que estão diretamente ligadas à alma humana. O que os torna bastante diferentes dos Contos de Fada aos quais estamos acostumados, é que as conclusões dos contos de Marina são sempre surpreendentes e muitas vezes, tristes...

Não sei se triste é a palavra certa. Talvez o sentimento que suas palavras tragam à tona, sim, possa ser triste. Ou felizes, dependendo do leitor... É certamente, uma descoberta agradável e, penso, uma interessante viagem por nosso próprio interior...

O conto através do qual conheci Marina Colasanti chama-se ,"A Moça Tecelã", e é um dos mais conhecidos dela.
Visitem
Releituras , conheçam a autora e não deixem de ler a versão virtual e ilustrada de A Moça Tecelã.

Leu?!

Não disse que era bom?


23.8.05

Winnetou


Li Winnetou pela primeira vez há mais ou menos 13 anos, e me apaixonei perdidamente. O primeiro volume conta as aventuras de Karl (Carlos, nesta tradução), um jovem alemão que vai tentar a vida nos Estados Unidos. Através de personagens sólidos, profundos e aventuras instigantes, Karl May nos conta o início da colonização dos Estados Unidos. Winnetou é um jovem guerreiro, cacique da tribo dos Apaches. Entre Karl e Winnetou nasce uma inesperada e emocionante amizade, que durará por toda a série. E pela vida dos dois.

E pelas nossas...

Dentre todos os riquíssimos personagens encontrados na obra de May, Winnetou se destaca por sua nobreza de alma, sua sabedoria e inteligência; um cavaleiro medieval em trajes indígenas nas estepes americanas! Karl May nos conquista fácil, fácil, com seu estilo leve e divertido, pelo realismo do que conta, a naturalidade com que emociona. Pelas descrições perfeitas de lugares, de tipos humanos, de aventuras que, naquele contexto, bem poderiam ser realidade.

Na verdade, Karl May não narra apenas as aventuras de um índio e um homem no antigo Oeste americano. Ele filosofa sobre as relações humanas, ele trabalha a possibilidade do diálogo entre os povos, e finalmente descreve com riqueza de detalhes e criatividade, a vida, os costumes e tradições dos povos visitados.

Escrito em 1909, a mensagem de Winnetou e de toda a obra de Karl May está e estará sempre muito atual. Um livro grande, uma aventura intensa, mas vale a pena o esforço e tempo despendidos. Oh, se vale! Para mim, é uma aventura de vida inteira.

A coleção não é mais editada no Brasil, mas pode ser encontrada, com facilidade em sebos. Pelo amor de Deus, não caiam nas péssimas traduções resumidas (estragam completamente, cortam toda a filosofia do autor, empobrecem o romance. Eca!), uma da Ediouro, outra da Abril. Procurem essa edição aí da foto, da Editora Globo Porto Alegre.

Com certeza, não se arrependerão da empreitada!